Posts

Jornal O Catarinense > Sem Categoria > Entenda o que poderá mudar no tratamento do colesterol com a nova Diretriz Brasileira

Entenda o que poderá mudar no tratamento do colesterol com a nova Diretriz Brasileira

O Dia Mundial de Combate ao Colesterol (8/8) reforça a importância da conscientização sobre os riscos do colesterol elevado e da necessidade de diagnóstico e tratamento precoces

Por Geninha Moraes e Silvia Chioca

Videira – Com previsão de lançamento para este mês de agosto de 2025, a nova Diretriz Brasileira sobre o Colesterol promete atualizar as recomendações clínicas para o diagnóstico, prevenção e tratamento das dislipidemias, alterações nos níveis de colesterol e triglicerídeos que aumentam o risco de doenças cardiovasculares.

A atualização é conduzida pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), por meio do seu Departamento de Aterosclerose, e será baseada nas mais recentes evidências científicas internacionais. A expectativa é de que a nova diretriz traga mudanças significativas, como:

-Revisão dos critérios do risco cardiovascular, com maior precisão na estratificação de pacientes;

-Metas mais rigorosas para o LDL-colesterol, especialmente em indivíduos de alto e muito alto risco;

-Incorporação de novas terapias, como os inibidores de PCSK9 e o ácido bempedoico, que têm demonstrado eficácia na redução do colesterol LDL em estudos recentes;

-Ênfase na prevenção primária, com foco em mudanças no estilo de vida e rastreamento precoce.

Segundo o médico cardiologista Daniel Branco de Araujo, especialista em colesterol, a nova diretriz representa um avanço importante na abordagem global do tratamento. “O controle do colesterol deve ser visto como parte de uma estratégia integrada de saúde cardiovascular, que inclui alimentação saudável, atividade física regular, controle do estresse e, quando necessário, o uso de medicamentos”, recomenda o médico.

Em 2017, a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) realizou a última atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose. Desde então, novas evidências científicas e medicamentos foram incorporados à prática clínica, justificando a necessidade de uma nova revisão.

Realidade da doença

As doenças cardiovasculares ocupam o primeiro lugar entre as causas de morte no Brasil, com mais de 350 mil óbitos por ano, segundo o Ministério da Saúde. O estudo Prevalência de colesterol total e frações alterados na população adulta brasileira: Pesquisa Nacional de Saúde, mostra que pela primeira vez no Brasil, a prevalência de níveis de colesterol total, LDL e HDL alterados e aponta que cerca de um terço dos adultos apresentam alterações do colesterol. A condição é um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares como infarto e AVC, que lideram o ranking de mortes no Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde.

Embora essencial para funções importantes do organismo, como a produção de hormônios e a estrutura das células, o colesterol em níveis elevados, especialmente o LDL, conhecido como “colesterol ruim”, favorece o acúmulo de placas nas artérias. Esse processo estreita os vasos e aumenta a probabilidade de infarto e acidente vascular cerebral (AVC). No Dia Nacional do Colesterol, celebrado em 8 de agosto, especialistas destacam a importância do diagnóstico precoce e de hábitos saudáveis para evitar complicações.

Dados apresentados no estudo mostram que a prevalência de colesterol total maior ou igual a 200 mg/dL na população foi de 32,7%, e mais elevada em mulheres (35,1%). Já a prevalência de HDL alterado foi de 31,8%, sendo de 42,8% no sexo masculino e 22,0% no feminino. O LDL maior ou igual 130 mg/dL foi observado em 18,6%, com prevalência mais elevada em mulheres (19,9%).

Outro estudo da Universidade Federal de Minas Gerais mostra que no Brasil 27% das crianças e adolescentes têm colesterol alto e cerca de 20%, 1 em cada 5, tem o LDL alto, também conhecido como “colesterol ruim”.

Confira 5 dicas para controlar o colesterol

-Adote uma alimentação saudável. Invista em frutas, verduras, legumes e grãos integrais. Reduza gorduras saturadas (frituras, carnes gordurosas, embutidos), evite também o consumo excessivo de açúcar e carboidratos refinados, e limite o consumo de ultraprocessados.

-Pratique atividades físicas regularmente. O exercício ajuda a aumentar o HDL (“colesterol bom”) e controlar o peso.

-Mantenha o peso adequado. O sobrepeso e a obesidade estão diretamente ligados ao aumento do colesterol.

-Evite fumar e consumir álcool em excesso. O tabagismo e o álcool contribuem para alterações no perfil lipídico.

-Realize exames periódicos. O acompanhamento médico e a avaliação regular do colesterol são essenciais para identificar alterações precocemente e prevenir doenças cardiovasculares.